terça-feira, 31 de março de 2026

 

 


                                Bastidores da Investigação nas Ilhas:

                                             O Alicerce Invisível                                           

“Superar o isolamento do Atlântico exige mais do que meios; exige a união de quem sabe que a justiça começa na solidez dos dados.”

 

Diz-se que a Polícia Judiciária vive da rua, mas quem passou quase três décadas na Unidade de Informação — hoje a nossa Brigada de Investigação Criminal (BIC) - sabe que o trabalho de retaguarda permite que a investigação não caminhe às cegas. No DIC dos Açores, a minha missão centrou-se no rigor da inserção e análise de dados, servindo como suporte real para a tomada de decisões estratégicas. Assegurei que a informação chegasse a quem decide e a quem executa de forma clara, pronta a ser utilizada.

Trabalhar num arquipélago de nove ilhas é um desafio que as palavras mal conseguem descrever. Só quem serve aqui, no meio da imensidão do Atlântico, conhece as dificuldades reais impostas pelo isolamento. Esta realidade reflete-se tanto na investigação como na informação, obrigando-nos a uma versatilidade constante. Sabemos que os recursos nem sempre acompanham a exigência da missão, mas é precisamente nessa lacuna que o valor humano se destaca; onde os meios escasseiam, a nossa dedicação multiplica-se para garantir que a carência técnica nunca comprometa a descoberta da verdade.

Acompanhei momentos marcantes, como a criação da Extensão da Terceira e, mais recentemente, do Faial. Testemunhei a transição do papel para o digital, reforçando a minha convicção de que nenhum sistema substitui a sensibilidade de quem sabe interpretar a informação. Estar nos bastidores não é ser indiferente; muitas vezes, o impacto da investigação chegava-me no silêncio de um processo, onde cada detalhe de sofrimento me recordava que trabalhamos com vidas, e não apenas com dados. Essa consciência tornava o meu rigor, uma forma de respeito pelas vítimas.

Desses 28 anos guardo muito mais do que a colaboração técnica. Por este departamento passaram centenas de colegas e resultaram amizades profundas, nascidas na partilha diária. O verdadeiro companheirismo superou as paredes do DIC, unindo-nos em laços que o tempo não apaga - incluindo os colegas que já partiram e que, também eles, farão sempre parte das nossas memórias.

Houve quem soubesse reconhecer que a investigação moderna não subsiste sem uma retaguarda de informação forte. Apesar dos desafios ou de eventuais injustiças pelo caminho, estas nunca foram suficientes para me tirar a resiliência ou o orgulho de pertencer a esta instituição. Foi esse compromisso que permitiu que a BIC se afirmasse como o suporte necessário para que a investigação fosse mais célere e eficaz.

Nesta celebração dos 50 anos da Polícia Judiciária nos Açores, deixo o meu testemunho como alguém que ajudou a construir o alicerce invisível desta casa. Orgulho-me de saber que, no "coração" da informação, batia o pulso de quem serviu a causa com lealdade e silêncio.

                   Paulo Ferro

Ponta Delgada, 7 de Fevereiro de 2026

terça-feira, 3 de junho de 2025

 Mesmo longe, nunca saí de lá...


Há lugares que não nos deixam, mesmo quando a vida nos empurra para longe. Povoação é esse lugar para mim. Não é só a terra onde nasci — é o ponto de partida de tudo o que sou. Está entranhada em mim, não pela geografia, mas pelas pessoas, pelas histórias, e pelos valores que moldaram o meu coração.

Ali aprendi o que realmente importa. Aprendi que dizer "bom dia" tem peso, que partilhar é natural, que cuidar dos outros não é um gesto especial — é um hábito diário. Cresci a ouvir a minha mãe chamar da janela ao fim do dia, quando o céu já se vestia de laranja e a rua se esvaziava devagarinho. Cresci rodeado de simplicidade, onde cada gesto era verdadeiro e cada palavra tinha alma.

Povoação ensinou-me a respeitar os mais velhos, a honrar a palavra dada, a ajudar sem esperar recompensa. Ensinou-me que a humildade é força e que a generosidade é uma herança invisível que se transmite no silêncio dos atos. Esses valores não vieram em discursos — vieram na forma como a minha mãe vivia, como os vizinhos se cuidavam, como se fazia muito com tão pouco.

Hoje, os caminhos levaram-me para longe. E, quando volto, sei que posso já não encontrar as mesmas pessoas, as mesmas vozes, os mesmos abraços. Mas há algo que nunca muda: volto sempre com a alma preenchida. Basta um cheiro, uma pedra no mesmo sítio, um olhar conhecido — e tudo em mim se reconecta.

É ali que volto a ser inteiro.

Escrevo isto por saudade, sim. Mas acima de tudo, por gratidão. Porque há raízes que não se veem, mas que sustentam tudo o que somos. E as minhas, por mais longe que vá, estão cravadas para sempre naquela terra junto ao mar: a minha Povoação!!!

Paulo Ferro, 03/06/2025




terça-feira, 31 de julho de 2012

I can feel it!



One thing I've been willing to ask you...specially after what you've said about Jesus Christ...you said he was a prophet...and he was, but not only that...he was more than that!
In Sociology classes,  many intelectuals make us think…but they also make us question our religious roots, our beliefs…the existence of God...and many other things about our background education.
Nevertheless, I still believe that there are ‘things’ that no human being and no science can ever explain...no matter how much they try to prove it!
Is this my way of not wanting to see reality?
No, it is not!
Is this my way of trying to make life easier for myself?
No, it is  not!
It's just that I BELIEVE…that there is something after this life and it sure is  based on God!
And after mom died and in that exact moment, when she was able to breathe for the last time...I felt inside of me…more than ever  - that there is really something beyond our intelectual capacities! There has to be!
Can you feel her presence? Can you feel her energy emerging inside of your own soul?
I can!
I love to take 10 minutes by myself every once and a while...to feel deep inside of me the strength coming from mom...and from God!
All this to say...please don't close the door on God!
Please, let him always be part of you...
for he controls our life, if we let him...he'll take care of our problems...he listens to us…and you know that…you really do…deep down inside!
Believe...have faith and notice that sometimes we aren't capable of seeing things God does for us...in our everyday lives!
Smile to the world...be tolerant...better days will come...show people that we can...when we want to!
God is watching…I can feel it!
Love you !

Paulo Ferro , 31 de Julho 2012

Mamã a minha benção!

 

A minha bênção, querida Mãe!





Mãe, hoje 19:55 do dia 18 de Abril de 2012...acabou teu sofrimento e partiste para junto do Deus, nosso PAI!
 
Vivi ontem o momento mais amargo da minha vida ao ver-te morrer poucos minutos depois de chegar ao teu leito! Ver-te respirar pela última vez foi um sofrimento que não tem explicação...
O teu último suspiro foi como se alguém me tivesse apunhalado no coração...como se o meu mundo se estivesse a desabar ali mesmo!
 
É verdade, que pedi sempre a Deus para estar contigo no momento da tua morte, eu não queria que te sentisses só! E assim, Deus fez acontecer!
 
Choro por ti...mas, sei que estás com Deus!!!Eras um exemplo de vida!!!
Até na hora da morte, esperaste por mim como sempre o fazias quando à nossa casa, eu chegava!!!
Tiveste a mim e às tuas filhas a confortarem-te, e a transmitirem-te o quanto que todos nós te amávamos e te apreciávamos!
 
Sinto já, uma imensa falta tua...vejo na minha mente e no meu coração, todas as recordações...todos os momentos que passamos juntos e em família!!!Recordações que nunca esquecerei!
 
Não tenho palavras para descrever o que vai no meu coração e na minha alma...Eras, e serás sempre a minha inspiração! E se eu algum dia não fui o filho que deveria ter sido, peço-te que me perdoes!
Tu sabes...que eu te adorava...tu sabes...eu sei!
 
QUERO-TE AGRADECER MINHA QUERIDA...
NÃO PODIA QUERER OUTRA MÃE!!!
FOSTE O MEU ANJO PROTECTOR, E SEI QUE ESTARÁS SEMPRE COMIGO...
NUNCA TE ESQUECEREI..
NUNCA, MINHA QUERIDA AMIGA!ADORO-TE SEMPRE MAMÃ!!!
A MINHA BENCÃO!
 
Paulo Ferro, 20 de Abril de 2012
 
 

sábado, 12 de novembro de 2011

Sou Pai!!!Sou Pai!

Parece incrível, mas é verdade! Sou Pai!!!
Já lá vai, pouco mais de sete semanas, desde a chegada do maior tesouro, que alguma vez poderia ter...nesta vida – O meu filho, o meu Alexandre!!!



Meu querido filho, meu Alexandre,

Escrevo-te estas palavras porque precisei de um momento só meu para transcrever para o papel as emoções que se acumularam nestes meus 47 anos de vida. Quero que saibas, um dia, como a tua chegada transformou o meu mundo.
Antes de ti, a vida seguiu o seu curso. Nunca vivi obcecado pela necessidade imperiosa de ter um filho. Passei por relacionamentos que me magoaram, que me tiraram a esperança de ser pai pelos parâmetros normais de estabilidade e paz. Mas, mesmo nesses dias cinzentos, nunca senti o desespero de ter um filho "apenas por ter". No entanto, no silêncio do meu anoitecer, naquela introspeção que todos fazemos, eu questionava-me. Lamentava não conhecer esse "estado de graça" que tantos descreviam como a verdadeira fonte da vida.
E então, Deus decidiu que era o momento. No dia 8 de fevereiro de 2011, recebi a notícia da gravidez da tua mãe, a Sandra.
A partir desse instante, as emoções vieram em catadupa: alegria, surpresa, mas também o medo e a ansiedade. Durante toda a gravidez, tentei manter o equilíbrio. A tua mãe sentia-me tenso, mas calmo; nem frio, nem quente. Eu estava a processar a enorme responsabilidade que me tinha sido destinada. Não foi coincidência, Alexandre. Foi uma missão que Deus me entregou, e prometi ali que faria tudo para te dar as ferramentas para seres consciente e feliz.
Mas tudo mudou verdadeiramente no dia 22 de setembro de 2011.
Nunca esquecerei o "nervoso miudinho" enquanto esperava no bloco de partos. Quando a Joana te trouxe e te colocou nos meus braços, a alegria jorrou de mim. Fiquei sem palavras. Só conseguia repetir, vezes sem conta: "É tão lindo! É tão lindo!"
Tu olhaste para mim como se já soubesses quem eu era. Parecia que tinhas descido do céu e que Deus já te tinha dito quem te esperava aqui na Terra. Foi uma sensação única, impossível de descrever, que guardarei em cada pormenor até ao fim dos meus dias.
Obrigado, meu Deus, por me teres trazido o meu filho.
O meu Alexandre. O meu Tesouro.
Com todo o amor do mundo,
O teu Pai..
Paulo Ferro, dia 13 de Novembro de 2011



segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Porque é que a eternidade não é visível?





E porque é que a eternidade não é visível










Há alturas na vida em que olhamos para trás!
Mas, há com certeza, alturas em que este olhar...é de longe, mais profundo, mais sentido!
Era bom que olhássemos...e em simultâneo, conseguíssemos tocar, e sentir momentos, pessoas...que já 'não existem', que 'já partiram'...
Como é doloroso este olhar...pois, por mais profundo que seja...por mais distância que alcance...não conseguimos tocar, não conseguimos sentir...Que angústia!
Há alturas na vida em que pensamos e nos interrogamos...Que fazemos aqui? E porque tem de ser assim?
Porque temos de ver partir as pessoas que tanto gostamos, que tanto amamos!
E porque é que a eternidade não é visível?!
Este nosso olhar...tão profundo...não alcançará o nosso maior desejo...a nossa sede de tocar e de sentir...todos os momentos que já não voltam, e todos os que já partiram, mas...
Continuaremos...insistiremos...pode ser que um dia, finalmente...este nosso olhar consiga...alcançar - 
Alcançar a eternidade e nesta altura, consigamos tocar e sentir o momento infinito, e todos os que um dia partiram!

07/02/2011 Paulo Ferro

A vida passa...



         A vida passa...






A vida passa tão depressa por nós...e, é  verdade, que por vezes andamos de costas voltadas para ela...a vida.
Se são tantos os contratempos que nos surgem, se são tantas as desilusões!
Há até momentos, e pessoas que gostaríamos de rever...Mas, infelizmente não há volta a dar!
Resta-nos viver neste mundo, que por mais injusto que seja...devemos aceitar, e assim,  rodearmo-nos das pessoas que realmente nos interessam, fazer o nosso trabalho, contribuir em cada dia que passa por um mundo melhor, e esperar, que um dia, sejamos recompensados por algo, que nem a ciência, consegue explicar!
Não deixemos que alguns destruam o melhor que temos - O Sonho!


07/02/2011   Paulo Ferro